O futuro começa hoje

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Postada em: 29/08/2019

O futuro começa hoje

O historiador, professor e escritor Leandro Karnal desafiou o público, explicando como interpretar tendências, definir ações e decidir situações que ainda estão por vir

“Panta Rei”, tudo muda. Para o historiador Leandro Karnal, essa teoria, criada pelo filósofo grego Heráclito, é a que melhor define a atualidade, cujo quadro político, moral e ético apresenta mudanças intensas em ritmo acelerado. Daí, a necessidade de clareza na definição das estratégias, palavra que já faz parte da rotina dos produtores de algodão no Brasil. Dentro desse conceito mais amplo, Karnal explicou aos participantes do 12º Congresso Brasileiro do Algodão que “O futuro começa hoje”. A plenária contou com a participação de dois mil congressistas na manhã desta quarta-feira (28), em Goiânia.

Em um mundo que consegue atomizar o conhecimento e colocar qualquer informação na palma das mãos, toda mudança é imperativa e rápida. “A sua realidade ligada ao algodão é única. Nada é da mesma forma e todos os participantes deste Congresso voltarão diferentes para suas fazendas e unidades produtivas”, afirma. “Saímos do poderio da força física, passamos para a era dos ditames do capital e hoje estamos diante do poder implacável da inteligência, grande responsável pela circulação da riqueza mundial”, avalia Karnal, ressaltando que são as criações, com base na sustentabilidade, na segurança e na confiança, que estão revolucionando a sociedade. “Então, podemos concluir que a criatividade e a capacidade de adaptação às mudanças são as principais ferramentas para o sucesso em qualquer área. E o cérebro humano é uma máquina eficaz nisso”, garante.

Mas, para chegar a esse ponto, é preciso sair da zona de conforto e encarar os desafios impostos nos cenários de crise. “Tudo o que me tranquiliza, me afasta do sucesso. Eu só mostro o meu melhor quando sou estimulado. Isso é do ser humano e é na crise que crescemos. Nossa vida é uma eterna administração de crise, mas é preciso ter em mente que as crises sempre passam”, diz o historiador ressaltando que o imperativo do universo é a mudança.

“Não mudar é fatal porque estamos num mundo volátil, repleto de incertezas, complexidade e ambiguidade”, explica Karnal, lembrando que quem planta algodão hoje não pode perder de vista que o mercado está globalizado. “A maneira de cultivar estava nas mãos dos mais velhos e agora, qualquer jovem de 16 anos sabe mais do que eu porque essa geração já nasce sabendo”. Então, segundo ele, o produtor tem que se renovar, reciclar e valorizar novas ideias, criar novos hábitos. “É hora de repensar estratégias, aplicativos, tecnologias porque o paradigma de ser produtor mudou. A todo instante mudam produtos, sementes e até modelos de gestão”.

Segundo Karnal, o ideal de futuro pode instigar o homem, mas, a verdade, é que ele nunca chega. “É simplesmente decorrência do presente. E o presente é cultivado por decisões do passado. Por isso, o ser humano não pode saber, nem sentir o futuro”. Dessa forma, o palestrante explica que o passado serve como experiência, o presente é o momento de agir e o futuro significa refletir sobre os caminhos que levam em direção ao que se quer, ou seja, a capacidade de se antecipar. “Mas isto não é futuro. É estratégia”, afirma.

Esta deve ser uma das tarefas do empreendedor na atualidade: a capacidade de antever situações e cenários; se adaptar, imaginar o que pode acontecer e, então, estar preparado para algo ainda novo. “Quem não se renova, não sai da zona de conforto e não se modifica, fica para trás. Nesse aspecto, o conhecimento é mola propulsora para evoluir na vida e nos negócios”, reforça Karnal, que lançou um desafio aos participantes: “Olhar além do ambiente imediato é importante em qualquer área. Busque, aspire, queira mais e conheça algo novo sempre. Traga a sustentabilidade, a segurança e confiança do produto para a planilha do Excel e crie novas relações”.

De acordo com Karnal, inserir inovação permanentemente numa lavoura algodoeira é ousar. “E essa característica também é fundamental porque, para plantar no Brasil, é preciso ousadia. Quem ousa tem mais chance de errar, mas o erro é uma mensagem para o planejamento e para a administração das fazendas. E, cada um desses erros, me torna melhor e me faz ver além do fim da safra”, reforça o historiador, lembrando que todos podem fazer muito mais do que acreditam. “E o custo de tudo isso é apenas o esforço. Seja a transformação que você quer no mundo. Então, tente fazer sempre o melhor, faça de forma boa, eficaz, efetiva e mude. Feito isso, você estará dando um passo matemático para o sucesso”.

Leandro Karnal é professor Doutor na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desde 1996. Graduado em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos - RS) e Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), possui pós-doutorado no México e Paris. Suas abordagens aliam história cultural, antropologia e filosofia. É ainda escritor e membro do conselho editorial das principais publicações acadêmicas da área na Unicamp e na Unisinos.


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Plenária coloca em pauta os desafios em infraestrutura e logística para o agronegócio

 

Nesta quarta-feira (dia 28), a plenária Infraestrutura e logística para um agronegócio forte reuniu, no final da manhã, o especialista em planejamento financeiro e estratégico de empresa, Marcos Ribeiro, e o fundador e sócio-diretor do Grupo Agroconsult, André Pessôa, para discutir as perspectivas do setor.

Empreendedor com mais de 25 anos de experiência no segmento de transporte, o CEO da Bravo Serviços Logísticos, Marcos Ribeiro, apresentou um panorama da situação do Brasil, nesta área, em comparação com os principais concorrentes da cadeia do agronegócio, como Estados Unidos e China.

 

“Somos o 8o maior PIB da economia mundial, o 56o país em desempenho logístico e o 50o em infraestrutura”, ressaltou Marcos Ribeiro, demonstrando, por meio de uma série de estatísticas, o cenário desfavorável para o país em fatores como custo logístico, extensão das ferrovias e rodovias pavimentadas, além da dependência em relação ao modal rodoviário.

 

De acordo com CEO da Bravo, estudos demonstram que será preciso um investimento de R$ 1 trilhão nos modais ferroviário, rodoviário e portuário para que o Brasil atinja um índice de desempenho logístico semelhante ao dos Estados Unidos. “Como vamos conseguir este um trilhão de reais ?”, indagou o empresário ao final da sua apresentação. “Com garantia jurídica, política e estabilidade. O governo precisa estabelecer parcerias público-privadas e criar um ambiente saudável para os investimentos“, finalizou. 

 

Já o presidente da Agroconsult André Pessôa fez uma apresentação voltada para as perspectivas para o mercado de algodão “Se tem um setor que está acostumado a superar desafios, é o do algodão. Crescemos muito nos últimos 20 anos e, agora, estamos entrando em um novo patamar, que é consolidar  o novo tamanho da cultura e desenvolver estratégias para não regredir”, disse André Pessôa, no início da sua apresentação. Ele destacou que, com a safra recorde colhida este ano, aumenta também o volume a ser exportado, que pode chegar a um total de 2 milhões de toneladas, caso as condições sejam favoráveis. A China continua sendo o principal comprador brasileiro.

 

O executivo falou também das perspectivas da cultura para os concorrentes do Brasil, especialmente os Estados Unidos, maior produtor mundial. “Ao contrário da safra passada, quando houve uma queda na produção, o algodão americano teve um ritmo normal, e deve colher cerca de 5 milhões de toneladas, um  milhão a mais do que no ciclo anterior”. Já a Austrália, apesar de uma queda de produção, ainda conta com estoques, enquanto a Índia deve registrar uma boa produção.

 

De acordo com Pessôa, hoje sua grande preocupação é com a redução da demanda global por algodão. Em outubro de 2018, dados divulgados pela Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontavam uma demanda de 28 milhões de toneladas. Quase um ano depois, esta estimativa é de 26 milhões de toneladas.

 

“O algodão vem perdendo espaço no ‘market share’ para outras fibras naturais e sintéticas, por isso uma recuperação da indústria têxtil não significa um crescimento do algodão. Mas sofremos quando o setor têxtil não cresce”, disse. O empresário também ressaltou que é importante estar atento a reduções de exportação da China, apesar da guerra comercial daquele país com os EUA favorecere o Brasil.

 

André Pessôa falou ainda sobre questões como o preço do algodão no mercado mundial e o câmbio. “O câmbio com o dólar alto pode favorecer o produtor, mas isso vai depender muito do seu nível de endividamento na moeda americana”. Depois da apresentação dos palestrantes, foi aberto espaço para dúvidas e questionamentos dos participantes.

 

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Desempenho das variedades de algodão disponíveis para o cerrado é debatido no 12º CBA

O Brasil é o quarto maior produtor de algodão e, na safra 2018/2019, conquistou o segundo lugar no ranking de maiores exportadores mundiais da pluma. Dados otimistas da Embrapa revelam ainda, que esta é a quarta cultura mais importante da agricultura do país, ficando atrás apenas da soja, cana de açúcar e milho. Mas o que é preciso fazer para manter a qualidade da fibra, aliada à alta produtividade e sustentabilidade da lavoura? Essa questão foi discutida durante a sala temática no 12º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), evento realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) de 27 a 29 de agosto. Um time de especialistas se reuniu no Centro de Convenções de Goiânia para apresentar dados sobre o desempenho das variedades de algodão disponíveis para o Cerrado brasileiro.

 

Dividida em três etapas, as apresentações foram abertas pelo coordenador da mesa, o pesquisador do IMAmt, Jean Bélot que recebeu o pesquisador da Embrapa Algodão, Francisco Farias, para falar sobre regionalização das cultivares, seguindo com Eleusio Freire, consultor técnico da Cotton Consultoria.

 

De acordo com Eleusio, das 56 variedades que existem no mercado brasileiro chegou-se ao consenso de haver oito variedades mais adaptadas produtivas e com melhor qualidade da fibra. “Como todo mundo está plantando variedades de qualidade, isso tem influência direta na produtividade. Para a indústria têxtil esse número menor de variedades é extremamente positivo, pois elas podem com características de fibras uniformes e de ótima qualidade”, ressalta.

 

Francisco Farias reuniu dados sobre a importância da seleção das melhores variedades para condições do cerrado brasileiro. “Esses materiais não podem deixar de ter adaptabilidade e estabilidade, conseguindo se manter produtivos mesmo com a variação ambiental”. Francisco apresentou as metodologias GGE Biplot & Binns (1988), relacionando os ambientes favoráveis para o cultivo do algodoeiro no Cerrado.

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O solo e sua importância para a produtividade

A sala temática que abordou o tema “Solos: atributos físicos e biológicos – efeitos sobre a produtividade do algodoeiro” esteve sob o comando do pesquisador da Embrapa, Fernando Mendes Lamas. O encontro tem objetivo de chamar a atenção dos profissionais da cotonicultura para além do aspecto químico do solo, mostrando que as questões físicas e biológicas representam uma grande questão para a agricultura atual. “Muitas vezes, um fertilizante químico não obtém o resultado esperado porque o problema é de outra natureza. Cuidar dos aspectos físicos e biológicos do solo reduz custos de produção”, aponta.

A também pesquisadora da Embrapa, Ieda Carvalho apresentou resultados da pesquisa do uso da bioanálise de solo como a mais nova aliada da sustentabilidade na agricultura brasileira. O trabalho apontou dados do diagnóstico realizado em 52 talhões de 24 propriedades em 15 municípios de Goiás, que consiste em agregar duas enzimas (betaglicosidase e sulfatase) às análises de rotina da terra. “Isso possibilita ao produtor acessar, entender e interpretar sua saúde e memória”, explica.

“Solo saudável, planta saudável”. Com este entendimento, Ieda Carvalho verificou que as fazendas produtoras de algodão em Goiás têm preservado o solo, e que a rotação de culturas, o plantio direto e a integração lavoura-pecuária-floresta são caminhos para o aprimoramento.

Doutor em Agronomia, Anderson Bergamin falou sobre os atributos físicos do solo e sua relação com a produtividade do algodoeiro em diversos sistemas de cultivo. Anderson mostrou como avaliar a compactação e resolver este problema. A apresentação envolveu ainda questões como a disponibilidade de água, rotação de culturas e, principalmente, o sistema radicular e sua importância para ambientes de cultivo com algodão. “As braquiárias apresentam um potencial de melhoria na qualidade física do solo por meio de seu volumoso sistema radicular”, enfatiza.

Os testes foram iniciados em 2016 nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia. “Atualmente, começamos a ver na prática das fazendas aquilo que a pesquisa apontou”, comemora.

Por fim, o engenheiro agrônomo Ronaldo Watanabe falou sobre o sistema de produção de algodão em solo arenoso. O estudo vem sendo feito desde 2014 no estado do Mato Grosso e tem como objetivo produzir algodão em solos com menos de 15% de argila, o que, geralmente, consegue garantir certa produtividade para a soja. “O ideal é que o solo possua mais de 40% de argila em sua composição para uma boa produtividade de algodão” compara.

Para Ronaldo, assim como ocorre com vários outros fatores relacionados à terra, a integração de culturas como algodão, milho e soja possibilita melhorar a produtividade e é capaz de mudar as características biológicas do ambiente. “Trata-se da reciclagem de micronutrientes, um fator importantíssimo para a saúde do solo”, conclui.

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Combate às pragas spodoptera, ácaro rajado e mosca branca é abordado em sala temática no 12º CBA

 

Dentro da programação do 12º Congresso Brasileiro do Algodão, que acontece até esta quinta-feira (dia 29), em Goiânia, foi realizada, na tarde desta quarta-feira (dia 28), a Sala Temática Situação atual e alternativas de controle de Spodoptera, ácaro rajado e mosca branca no contexto do Manejo integrado de pragas (MIP). As discussões foram coordenadas pelo engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Algodão, José Ednilson Miranda, que tem ampla experiência na área de Entomologia Agrícola, atuando nos temas de manejo integrado de pragas do algodoeiro, controle biológico, plantas e inseticidas.

Segundo Miranda, hoje a spodoptera - também conhecida como lagarta do cartucho, o ácaro rajado e a mosca branca respondem por cerca de um terço das pragas que atingem o algodoeiro: “As três juntas são um problema do tamanho do bicudo”, explica o pesquisador, que atua no Núcleo Goiânia da Embrapa Algodão.

A estimativa é que as três pragas exigem uma média de 19 aplicações de defensivos por safra, praticamente a mesma intensidade utilizada no caso do bicudo. “Considerando-se hoje o custo do preço da produção do algodão, nosso levantamento mostrou que o valor gasto para combater a spodopetra, os ácaros e mosca branca pode chegar a quase R$ 1,2 mil por hectare.

Professor e pesquisador da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Campus Barreiras, Marco Tamai, falou sobre o tema Situação atual dos ácaros do algodoeiro: problemática, medidas de controle e resultados de pesquisa. Tamai destacou a importância do controle do ácaro-verde e, em especial do ácaro-rajado ainda na soja, uma vez que o animal migra de um cultivo para o outro, causando danos às duas culturas.

Situação atual de Spodoptera frugiperda no MT, medidas de controle e desempenho das tecnologias foi o assunto abordado, em seguida, por Jacob Netto, pesquisador entomologista do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt). Atuando na área de manejo integrado de pragas, controle químico e controle biológico, Jacob possui experiência nas áreas de entomologia e fitossanidade.

Já na sua apresentação na sala temática, Cristina de Paula, engenheira agrônoma do Grupo Bom Futuro, falou sobre Mosca branca: problemática atual, medidas de controle e resultados de experimentação. Cristiane ministra palestras e treinamentos para equipes técnicas do Grupo Bom Futuro, para diagnose e quantificação de doenças nas culturas de soja, milho e algodão.

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Especialistas alertam quanto aos riscos ligados à fusariose na cultura algodoeira

 

A Fusariose é a principal doença do algodoeiro de ciclo anual. As plantas doentes mostram um quadro bastante variável de sintomas, a depender do grau de resistência da variedade e das condições ambientais existentes. Como a obtenção de variedades resistentes é a medida de controle economicamente viável, este tema esteve em pauta na tarde desta quarta-feira (28) durante o 12º Congresso Brasileiro do Algodão, em Goiânia. Os especialistas, Luiz Gonzaga Chitarra, Rafael Galbieri e Alfredo Ricieri Dias alertaram os participantes quanto aos riscos de inserção da Fusariose nas lavouras de algodão no Brasil.

“Manejamos não apenas uma cultura, mas um sistema agrícola inteiro, o que não é tarefa fácil diante da enormidade do agronegócio algodão no país”, enfatiza Chitarra. Para ele, problemas fitopatológicos como esse precisam de atenção, uma vez que a disseminação do patógeno pode se dar pela semente, por partículas de terra contaminada, arrastadas pelo vento ou pela água, além de implementos agrícolas infectados. “As áreas de cultivo contaminadas permanecem nessa condição por um longo período, pois o organismo sobrevive no solo, produzindo esporos de resistência e sobre restos culturais de algodão ou outros materiais orgânicos”, alerta.

Por isso, segundo o especialista, é importante conhecer aspectos que evitem a introdução do Fusarium no Brasil. Entre eles está a qualidade das sementes, que devem ser geneticamente puras, com alto poder de germinação, vigor, livre de contaminantes e padronizadas. “A maioria dos patógenos é transmitida pelas sementes, então, quando o produtor recebe um lote de sementes, precisa identificar as várias espécies de Fusarium que podem vir junto com elas”, explica Chitarra, acrescentando que existem 14 espécies do patógeno que causa danos expressivos à cultura.

Existem oito raças da Fusariose no mundo. No Brasil, foi detectada apenas a raça 6, porém, o maior risco é a introdução da raça 4, originária da Índia, mas já detectada na Califórnia, Novo México e Texas. “Trata-se de uma raça que causa muitos prejuízos à lavoura e, uma vez introduzida, fica difícil controlar ou erradicar porque é uma doença que pode infectar com muita severidade as plantas brasileiras”, diz Chitarra, explicando que a transmissão da Índia para os EUA se deu via importação de sementes e equipamentos agrícolas usados. “E para evitar que essa realidade chegue ao Brasil, pesquisadores, produtores, consultores e técnicos precisam trabalhar juntos, estabelecendo medidas de controle para evitar o trânsito de máquinas, escolher sementes sadias de fornecedores idôneos, promover a rotação de culturas e usar cultivares resistentes. Prevenir é sempre melhor do que remediar”, finaliza.

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Pesquisadores debatem estratégias de controle de ervas daninhas nas culturas de algodão

 

Nos últimos anos, com a utilização em larga escala de variedades transgênicas, os produtores rurais e pesquisadores vêm identificando a emergência de variedades de plantas daninhas resistentes a herbicidas. Diferentes alternativas de combate a este problema foram debatidas na tarde desta terça (28.08), na sala temática Manejo das plantas daninhas no cultivo do algodoeiro. A atividade integrou a programação do 12o Congresso Brasileiro de Algodão, que acontece até esta quinta (29.08), no Centro de Convenções de Goiânia, em Goiás.

 

Consultor do Instituto Matogrossense de Algodão (IMAmt), o agrônomo Anderson Cavenaghi fez uma análise das principais plantas daninhas nas culturas de soja, algodão e milho, citando espécies como capim-de-galinha, capim-amargoso, buva e caruru, que vêm preocupando os produtores por sua resistência ao glifosato e outros herbicidas largamente utilizados hoje. “Fica claro que se usarmos a mesma estratégia sempre, uma hora não teremos mais resultados, por isso é preciso pensar num planejamento estratégico do manejo”, destacou o pesquisador.

 

O pesquisador Robson Osipe, da Universidade Estadual do Norte do Paraná, relatou um cenário semelhante ao discorrer sobre as plantas daninhas resistentes a herbicidas e manejo nos sistemas de produção do sul do Brasil e do Centro Oeste. “Para mim, a maior quebra de paradigma no controle das plantas daninhas, hoje, é o retorno do uso de herbicidas pré-emergentes, apesar do custo elevado e do receio dos produtores com o risco de toxidez”, relatou Robson,

Já o pesquisador da Embrapa Algodão, Alexandre Cunha de Barcelos, chamou atenção para a importância do manejo integrado de ervas daninhas, com a adoção de estratégias de manejo preventivo e cultural – como a limpeza das máquinas para evitar a infestação pelo transporte de sementes – e o sistema de plantio direto, no qual a criação de uma cobertura com palha e restos de vegetais contribui para impedir a germinação e emergência de espécies daninhas.

 

“A orientação mais importante é que apenas o herbicida sozinho não será eficiente, em médio e longo prazo, como medida de controle”, afirmou o pesquisador, ao ressaltar ainda a importância da diversificação de culturas. “Ao fazer rotação de culturas, no entanto, o produtor deve utilizar diferentes cultivares de transgênicos para diferentes herbicidas; se for usar sempre soja, milho e algodão resistentes a glifosato, ele pode ter problemas”, orientou. 

 

Por último, o pesquisador do Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt), Edson de Andrade, falou sobre o controle de tigueras no sistema soja-algodão. Engenheiro agrônomo   com mestrado e doutorado em Agricultura Tropical pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Edson tem trabalhos sobre temas como manejo de plantas daninhas nas culturas do algodão e soja, plantas daninhas resistentes no estado de Mato Grosso e a destruição química de soqueira do algodoeiro.

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Sala temática traça raio-x da qualidade da fibra de algodão

 

Especialistas do segmento têxtil avaliam como é a qualidade da fibra do algodão brasileiro

 

“A fibra brasileira e os mercados compradores” foi o tema desta sala, que integrou a programação do segundo dia do 12º Congresso Brasileiro do Algodão. Os participantes tiveram a oportunidade de ver um panorama da qualidade da fibra de algodão brasileiro pela perspectiva de produtores e compradores. Na ocasião, foram apresentadas estatísticas de qualidade da fibra de todas as principais regiões produtoras de algodão no país e como essa qualidade está sendo percebida pela indústria nacional e internacional.

 

“A qualidade de fibra é uma área bem interessante e o Brasil tem avançado muito. O algodão brasileiro está tentando ganhar uma reputação do produto de boa qualidade. Há um progresso muito grande nos últimos cinco, dez anos”, acredita o coordenador da sala, Liv Severino, agrônomo e chefe geral da Embrapa Algodão.

 

Para ele, o Brasil avançou muito na questão de qualidade de fibra, mas ainda há muito o que melhorar. “É uma coisa interessante que quando a gente avança, começa a compreender o quanto precisa avançar ainda mais. É o contrário do que seria o senso comum. Hoje a gente está visualizando muitas outras coisas que a gente precisa agora começar a trabalhar. Na verdade, pela estrutura que foi montada em qualidade da fibra agora nós temos condição de atacar coisas muito mais ambiciosas. Realmente, o algodão está melhorando muito a qualidade, estamos conquistando este reconhecimento. Agora, temos que mantê-lo dando passos muito maiores para o futuro”, aponta Liv.

 

Integrou o time desta sala, o técnico têxtil Edson Mizoguchi, gestor do Centro de Referência em Análise de Algodão (CBRA) Abrapa, com a palestra "Classificação HVI da fibra brasileira". Ele mostrou aos presentes a evolução da classificação do algodão ao longo dos últimos anos, o que gerou uma uniformização dos resultados obtidos garantindo precisão e confiabilidade. “O programa de análise de classificação tecnológica do algodão tem como objetivo principal garantir o resultado de origem e dar credibilidade e transparência a esses resultados. Para tanto, era necessário que o Brasil tivesse um centro que pudesse ser referência para os demais laboratórios. Assim, surgiu o Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), laboratório central situado em Brasília, com certificação internacional. Nosso principal programa é o algodão de checagem”, explica Edson.

 

A análise com HVI é feita em quase 100% do algodão nacional, diz Ariel Coelho, engenheiro industrial, diretor da CDI do Brasil, filial da CDI Cotton Distributors INC. “Crescemos em produção e qualidade e hoje somos o maior produtor do hemisfério sul”, conta. Em sua palestra, Ariel falou sobre o mercado comprador dessa safra gigante que está sendo colhida agora destacando, ao lado da China, país que foi o maior importador do algodão brasileiro em 2018, países como a Indonésia, Bangladesh e Turquia e em menor escala o Paquistão. “O algodão brasileiro é bem parecido com o americano, com boa penetração no mercado internacional, principalmente o asiático. Nosso algodão tem certificação BCI, o que garante a sustentabilidade e cria um cenário confortável, com produtores que cumprem todas as regras e honram contratos.

O encontro teve, também, a presença do matemático, técnico têxtil e classificador de algodão Francisco Freitas, que trouxe um pouco de sua experiência como gerente industrial no Grupo Vicunha, desde 1986, para falar sobre "A qualidade da fibra para as indústrias brasileiras", tema de sua palestra. Para Freitas, o algodão brasileiro tem atingido as necessidades da Vicunha. “Cada vez mais utilizaremos o algodão nacional. E agora que o Brasil tem a disponibilidade de fornecer algodão o ano inteiro evita que precisemos importar”, comemora. Contudo, para fortalecer o algodão nacional, ele apontou as melhorias que se fazem necessárias a exemplo da contaminação por metais, como parafusos e peças metálicas; plástico amarelo, entre outros materiais. “A contaminação por metais é uma das mais preocupantes, porque pode ocasionar incêndios nas fábricas, causando danos à indústria”, alerta.

 

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Especialistas do Brasil e EUA debatem sobre a fisiologia do algodoeiro

 

A sala temática tratou da fisiologia do algodoeiro como passo importante para a produção de uma fibra com qualidade, além de ressaltar os estresses aos quais a lavoura está sujeita, como o encharcamento, sombreamento e seca.

 

 “Fisiologia do algodoeiro para produzir uma fibra de qualidade” é o tema desta sala que abriu a segunda rodada de palestras da tarde da quarta-feira, 28 de agosto. Nesse segundo dia do 12º Congresso Brasileiro do Algodão, especialistas do Brasil e dos Estados Unidos se reuniram para tratarem dos principais estresses abióticos aos quais a lavoura algodoeira está sujeita, como encharcamento, sombreamento e seca, além da modulação do crescimento visando tornar a cultura mais precoce, sem prejuízos na produtividade e qualidade.

Coordenador da sala e palestrante, Fábio Echer, engenheiro agrônomo, Dr. Prof. e pesquisador na Unoeste, Presidente Prudente (SP), falou sobre o "Sombreamento e encharcamento: efeitos sobre a fisiologia, produtividade e qualidade do algodão. Echer acredita que estes estresses podem contribuir para a perda de estruturas reprodutivas da planta. A depender do período de sombreamento, o impacto pode ser maior ou menor. Quando acontece no período de florescimento, os impactos são mais severos. “Estamos tentando entender as possíveis soluções para minimizar o problema. Ainda estamos trabalhando com hipóteses, mas sabemos que existe uma solução”, pontua.

O aumento da dose de nitrogênio pode ajudar na recuperação da produtividade, desde que haja umidade suficiente no solo e não haja limitação por temperatura e isso pode vir acompanhado de uma redução da qualidade.

Já o encharcamento se caracteriza pela diminuição da concentração de oxigênio no solo abaixo de 10%, o que ocasiona danos porque as raízes não conseguem respirar. O problema é mais grave em terrenos argilosos e pode ter consequências como a limitação no crescimento articular, diminuição da expansão da folha, baixa absorção de nitrogênio, entre outras. Entre as medidas de prevenção está a ausência de restrição física e química no solo.

Na sequência, o público presente teve a oportunidade de aprender sobre os prejuízos que o déficit de água acarreta na fisiologia do algodão com o americano Glenn Ritchie, PhD, Prof. of Physiology na Texas Tech University.  Durante a palestra “Estresse Hídrico: entendendo o impacto do déficit de água na fisiologia do algodão e no manejo”, Ritchie explicou que a falta de água é, sem dúvida, um fator limitante na cotonicultura e pode acarretar danos irreversíveis na qualidade da fibra. Encerrou a mesa de debates, o palestrante Rogério Ferreira, da Basf, que falou sobre a “Modulação do crescimento visando a precocidade da lavoura: impacto sobre a produtividade e qualidade”.

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Pesquisadores defendem importância do conhecimento dos ambientes produtivos para a gestão da adubação

Como o conhecimento sobre os ambientes de produção pode ajudar os produtores rurais em suas tomadas de decisão para a realização de uma gestão de adubação mais eficaz? Esta foi uma das questões em destaque na sala temática Gestão da adubação com foco em sistemas e ambientes de produção de algodão, realizada na tarde desta quarta-feira (28.08), como parte da agenda do 12o Congresso Brasileiro do Algodão. O evento reúne mais de 2 mil participantes do Brasil e exterior até esta quinta (29.09), no Centro de Convenções de Goiânia, em Goiás.

Promovido no formato de um talk show, sob a condução da agrônoma Ana Luiza Dias Coelho Borin, da Embrapa Algodão, a sala temática proporcionou um bate-papo dinâmico entre diferentes pesquisadores que são referência na área de adubação, com espaço para o diálogo com a plateia ao final.

Doutora em Ciência do Solo pela Universidade Federal de Lavras - com pesquisas realizadas desde 2011 sobre fertilidade do solo e nutrição de plantas - Ana Borin começou realizando uma caracterização dos sistemas e ambientes onde se concentram as culturas do algodão, no chamado bioma cerrado. Na sequência, o debate se voltou para o balanço e as exigências nutricionais destes ambientes, e seu impacto para a gestão da adubação.

O coordenador de pesquisa da SLC Agricola Marquel Holzschuh mostrou os resultados de um levantamento sobre textura do solo e produtividade nas fazendas da empresa em seis estados do Centro Oeste e Nordeste. “A comparação da análise da distribuição da argila no solo com o mapa da produção deixa bem claro que, quanto mais argiloso o solo, mais produtivo ele é”, afirmou o agrônomo, ao explicar que a textura argilosa é mais comum na região Cetro Oeste, enquanto no Nordeste predominam os solos arenosos.

Ainda assim, os pesquisadores chamam atenção para o fato de que dentro dos campos de uma mesma fazenda podem ser encontrados diferentes ambientes produtivos. “Não podemos esquecer no dia a dia que o solo tem uma heterogeneidade”, alertou Ana Borin.  A afirmação foi reiterada pelo agrônomo Leandro Zancanaro, da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT). “É preciso que nos ajustemos à necessidade do solo, levando em conta se estamos lidando com um ambiente mais ou menos frágil e responsivo à fertilização”, ressaltou Leandro. Neste mesmo contexto, o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo (MG). Álvaro Resende deu sequência ao debate, mostrando os resultados de pesquisas sobre estoque de nutrientes e tamponamento (controle de pH) das áreas. “É possível refinar a gestão da adubação quando conhecemos melhor as dinâmicas dos nossos ambientes de produção”, defendeu o pesquisador.

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Manejo e boas práticas diminuem a resistência de pragas aos inseticidas e toxinas

 

O refúgio agrícola é essencial? Existem práticas mais recomendadas para o cultivo das variedades Bt? Qual conjunto de técnicas garante a eficiência da tecnologia e o aumento de produtividade sem colocar a lavoura em risco? Essas respostas foram dadas pelos especialistas Celso Omoto, Celito Breda, Paulo Degrande, Daniela Okuma e Fábio dos Santos durante o 12º Congresso Brasileiro do Algodão, na tarde desta quarta-feira (28), em Goiânia.

 

A chegada da tecnologia Bt no algodão beneficiou os agricultores, apresentando vantagens sobre o método convencional de controle de pragas. Mas, o primeiro algodão transgênico aprovado no Brasil, em 2005, pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) ainda traz dúvidas e preocupa os produtores quanto ao manejo e à suscetibilidade de insetos e toxina Bt.

 

Ficou claro para os congressistas que não há como ser eficiente sem levar boas práticas de manejo para o campo. “O monitoramento de pragas é a base para decisões corretas em todos os sentidos. Por isso, precisamos investir em pessoas, sistemas e processos, no intuito de aperfeiçoar esse monitoramento”, afirma Paulo Degrande, ressaltando que as estratégias devem estar baseadas nos ecossistemas, buscando a prevenção, análise e as realidades locais.

 

“Dessa forma, dentro das boas práticas agrícolas não se pode desconsiderar a eliminação de restos culturais, rotação e sucessão de culturas, uso de inseticidas e manejo de habitat, entre outros aspectos”, avalia Degrande, pontuando que existem cinco momentos do manejo, todos com a mesma importância, a serem considerados: pré safra, plantação, reprodutiva, final do ciclo e entre safra.

 

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Controle e prevenção à ramulária são debatidos no 12º Congresso Brasileiro do Algodão

 

Um dos destaques da programação do segundo dia do 12º CBA foi a Sala Temática que abordou, na tarde desta quarta-feira (dia 28), O manejo de doenças do algodoeiro, das 16h30 às 18h. Na coordenação da sala, estava o pesquisador da Embrapa Algodão, Alderi Araújo, engenheiro agrônomo com mestrado e doutorado na área de Fitopatologia. 

Sua palestra focou na ramulária, a doença mais importante do algodoeiro, nas estratégias de controle e nos resultados obtidos nos ensaios de rede para avaliar os fungicidas, na safra 2017/2018.  Segundo o pesquisador, o principal objetivo da rede é a padronização de experimentos para ter resultados aplicáveis a toda regiões produtoras do país. O trabalho tem a parceria da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).

“A ramulária está dispersa por toda produção de algodão no país, concentrada praticamente no Cerrado (mais de 99%). Fatores do climáticos favorecem a disseminação do fungo, como a temperatura quente e a umidade da chuva na região do Cerrado, no período do plantio. Ao mesmo tempo que propicia o desenvolvimento da planta, o clima favorece o avanço do problema”, disse o pesquisador.

Alderi destacou que o controle da doença, que é muito difícil de combater, depende de variáveis como medidas culturais, intervenções genéticas e químicas. “Há cultivares resistentes, mas não imunes aos fungos que causadores da ramulária”.

A sala temática contou ainda com a participação do engenheiro agrônomo Daniel Rosa, que falou sobre a resistência aos fungicidas e apresentou o Plano de Manejo Consciente da Syngenta, onde atua como gerente de Pesquisa e Desenvolvimento. “Hoje, procuramos ser mais proativos que reativos”, afirmou Rosa. Já o gerente agrícola do Grupo Bom Jesus, Eziquiel Vitor, apresentou o tema Visão do produtor sobre o controle de doenças em algodoeiro.

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Ferramentas de monitoramento podem diminuir perdas com nematoides

 

O manejo dos nematoides nos sistemas de cultura dos cerrados esteve em pauta na tarde desta quarta-feira (28), durante o 12º Congresso Brasileiro do Algodão, em Goiânia. O trio de especialistas, Fabiano Perina, Rafael Galbieri e Rosângela Silva falaram sobre os fatores agravantes que contribuem para o desenvolvimento dessa praga.

 

“Os nematoides preocupam a cotonicultura brasileira mas existem controles biológicos, genéticos, culturais e químicos que podem ajudar os produtores de forma integrada”, avalia Fabiano Perina, que trouxe um panorama da infestação de nematoides no Oeste da Bahia. Segundo ele, nas safras 2016/2017 e 2017/2018, cerca de 85% das áreas monitoradas foram detectadas com nematoide das lesões e 37% delas, com nematoide das galhas. “Apesar do índice ser menor, é justamente este segundo tipo que causa os maiores prejuízos na região do cerrado”, diz. O estudo contemplou 98 fazendas, 835 amostras em 11 municípios baianos.

 

Para os especialistas, a grande dificuldade por parte dos produtores é a rotação de cultura completa, a implementação das plantas de cobertura e o elevado trânsito de máquinas nas safras recordes como as de agora. “Esses implementos não são higienizados adequadamente, o que dissemina o nematoide rapidamente para áreas livres”, explica.

 

Segundo Galbieri, o manejo cultural adequado, a escolha das cultivares mais resistentes ou tolerantes, além do controle biológico da praga e tratos culturais simples são capazes de minimizar o impacto do nematoide nas lavouras. “O ideal é tomar as medidas preventivas para não deixar a praga entrar na fazenda mas, uma vez instalado, o produtor tem que acompanhar e controlar a infestação, usando essas ferramentas de forma associada para que esse conjunto de soluções integradas possa diminuir as perdas na produção”, finaliza Galbieri.

 

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12º CBA tem sala temática sobre colheita e beneficiamento do algodão

 

Antes de entender sobre colheita e beneficiamento do algodão, é preciso entender sobre todo o ciclo de produção da planta, desde o planejamento agrícola até a entrega final do produto ao cliente. Para compartilhar experiências sobre esses processos mecânicos e sobre como o gerenciamento e planejamento estratégico podem resultar em números positivos de produção e aumento da qualidade da fibra, o 12º Congresso Brasileiro do Algodão CBA - trouxe representantes de empresas agrícolas especializadas para expor sobre como é feita a colheita e o beneficiamento da planta.

Coordenada pelo chefe geral da Embrapa Algodão, Liv Severino, a sala recebeu como palestrante Luciano Bizzi, gerente de mecanização da SLC Agrícola e Giancarlo Goldoni, sócio coordenador de Engenharia na Cotimes do Brasil. Ambos compartilharam os modelos de produção das empresas.

Bizzi explicou como acontece o processo de mecanização do algodão. Segundo ele, um procedimento de logística de alto custo e que se faz necessário planejamento antes de acontecer de fato a colheita, com objetivo de minimizar todos os impactos do ciclo. “A gente retira uma amostra da planta na lavoura e faz uma análise prévia para saber como está a planta no campo. As condições de colheita, as regulagens das máquinas, velocidade de beneficiamento, tudo é minuciosamente calculado. Após esse estudo é que partimos para os processos mecanizados de colheita e beneficiamento”.

Durante a palestra no CBA, foram apresentados não só os processos de gerenciamento das máquinas, mas também a gestão de pessoal para gerar um melhor aproveitamento de trabalho, ganho em qualidade e aumento em rendimento.

Um dos pontos abordados pela SLC foi a padronização dos processos de colheita e também de limpeza das máquinas. O gerente explicou que além de manter a qualidade da fibra, isso gera a melhoria nos processos periféricos e aproveitamento da jornada do trabalho. “Nossas reuniões são feitas na lavoura. Desde a equipe que faz as refeições até a diretoria”.

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28.08.2019

Imprensa Abrapa

Catarina Guedes – Assessora de Imprensa

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