Conferência ITMF

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Postada em: 19/09/2018

Entre os dias 07 e 09 de setembro, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) participou da conferência anual da Internacional Textile Manufacturers Federation (ITMF), realizada, em 2018, na cidade de Nairobi, no Quênia, continente africano. Como no ano passado, quando ocorreu em Bali, na Indonésia, a entidade foi representada pelo seu ex-presidente, João Luiz Ribas Pessa, que, além da programação da conferência, participou das reuniões que a antecederam, do Comitê de Fiações e do Comitê de Algodão, ambas realizadas no dia 06 de setembro.

O encontro da ITMF reúne líderes globais da cadeia de valor do algodão, que discutem abertamente as questões do setor. Este ano, além das inovações tecnológicas e da sustentabilidade, temas recorrentes nas últimas edições, o evento também abordou a geografia da fibra, com os pontos fortes e fracos da produção na África, e o balanço entre a demanda e o suprimento na China, que deve diminuir a produção de algodão, na medida em que o país tem priorizado a produção de alimentos em lugar de fibras, com liberação de áreas de algodão para esta finalidade.

De acordo com Pessa, a conclusão a que se chega ao final do evento é que a competição entre algodão e fibras sintéticas seguirá acirrada, mas ambas as matérias-primas terão o seu espaço no futuro. "A previsão é de que o consumo de sintéticos continuará em rápida ascensão, mas as questões ligadas ao impacto ambiental causado pelos resíduos desses produtos obrigarão as indústrias mundiais a rever a escolha da matéria-prima não biodegradável. O aumento do uso do poliéster tanto em embalagens quanto na indústria têxtil e o seu consequente impacto ambiental deverá resultar em uma mudança de comportamento. Sem dúvida alguma, qualquer solução que se venha a adotar no futuro em relação às fibras significará mais custos de produção e manejo", afirma.

Modernização

Um dos debates mais relevantes do evento, na opinião do ex-presidente da Abrapa, foi sobre a relação entre o incremento da produção e do consumo versus a modernização do parque de máquinas. Na ocasião, foram citados como exemplos de escalada de produção e consumo Vietnam, China, Bangladesh, Índia e a Europa. "É consenso que a indústria brasileira precisa estar atenta a este fato e investir na modernização de seus parques de máquinas. Na ocasião, junto aos representantes da Abit e do Sinditêxtil, tratamos deste tema", afirmou Pessa. Segundo ele, tanto a Abit quanto o Sinditêxtil se mostraram abertos a prospectar estudos no sentido de integrar melhor a cadeia produtiva brasileira, e sugeriram que a Abrapa e suas estaduais não deixem passar a oportunidade.

Digitalização

As novas maneiras de produção industrial, que configuram, segundo os especialistas, a revolucionária indústria 4.0, também figuraram entre as discussões da conferência. Trata-se do uso de novas tecnologias no processo produtivo, como a internet das coisas (IoT), robótica, impressão 3D, big data, inteligência artificial e simulação virtual. De acordo com João Luiz Ribas Pessa, o que se observou no evento é que a digitalização tem sido vista como desafio e oportunidade, ao mesmo tempo.

"Como pontos de preocupação, estão os riscos que a digitalização pode trazer ao mercado, como a fragmentação da cadeia de valor, o risco de perda da propriedade intelectual e de criação de novos desenhos, o impacto na rede de produção global, diferentes processos de execução e organização do trabalho, além da falta de expertise de operadores no mercado. Como pontos positivos, temos redução de custos, eficiência na mão de obra e uso da energia, previsão de crescimento de novos modelos de negócios, inserção de novas expertises e oportunidades de trabalho", compara.

A conferência anual do ITMF tratou ainda de temas diversos, como o varejo e o e-commerce, "economia verde", e sobre auditagem no ITMF. "A ideia debatida sobre este último tema visa à solução do conflito que hoje existe, pelo excesso de sistemas que se propõem a rastrear produtos. O objetivo do ITMF, a curto prazo, é reduzir o número de auditagens e eliminar a redundância nos parâmetros básicos, e a longo prazo ser a voz da indústria. Assim como a Abrapa, exemplarmente, fez com o benchmark entre BCI e ABR, evitando a dupla checagem", concluiu.