Tailândia abre portas para o algodão brasileiro

Postada em: 02/12/2021


Tailândia abre portas para o algodão brasileiro  

 

O Brasil está batendo na porta da Tailândia na hora certa. A afirmação foi feita pelo presidente da Comissão de Têxteis da Confederação das Indústrias na Tailândia, Somsak Srisupornwanich, durante o Cotton Brazil Outlook 2022 – Thailand. O primeiro evento realizado pela Abrapa no país asiático ocorreu na manhã desta quarta-feira (01), em Bangkok, e selou o interesse de cotonicultores brasileiros e da indústria têxtil tailandesa em ampliarem o comércio entre os dois países.  

 

A iniciativa contou com a parceria da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) e da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), além do apoio da Embaixada do Brasil em Bangkok e da Câmara de Comércio Brasil-Tailândia. Em jogo, um mercado que movimentou US$ 34 milhões somente na última temporada (2020/21), quando nove estados brasileiros embarcaram 21,4 mil toneladas de pluma para a Tailândia. 

 

Com aproximadamente 4.700 unidades fabris que produzem fios, tecidos e confecções, o País experimenta uma recuperação no setor após os impactos sentidos com a pandemia da Covid-19. "Este é um excelente momento, pois nossa indústria têxtil está aumentando a produção e buscando fornecedores. O Brasil está batendo na nossa porta na hora certa. Agora, basta criarmos um relacionamento mais perene, de confiança", disse Srisupornwanich.  

 

"Hoje é o início de um capítulo muito importante na relação comercial entre nossos países, que tem tudo para se fortalecer ainda mais", reiterou o presidente da Abrapa, Júlio Cézar Busato. A intenção da entidade é seguir ampliando o market share do algodão brasileiro nas importações da Tailândia. Há três anos, o percentual era de 10%, tendo passado para 16% na safra 2020/21. 

"A Tailândia se firmou como um mercado importante para o Brasil e já é o nono maior importador do algodão produzido no País", observou o embaixador do Brasil em Bangkok, José Borges. "Graças ao investimento em pesquisa e tecnologia, a cotonicultura brasileira alcançou níveis inéditos de qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade. Hoje, temos pluma disponível ao mercado externo durante o ano todo", complementou o embaixador. 

 

Stanley Kang, representante da Tuntex Textile Co. Ltd. e presidente Junta das Câmaras de Comércio Internacional da Tailândia (da Joint Foreign Chambers of Commerce in Thailand), ressaltou a importância dos indicadores de qualidade e sustentabilidade apresentados durante o evento. "Investimos bastante em inovação tecnológica em nosso parque fabril para podermos entregar produtos de alto nível, conforme pede o comprador internacional. Esse é um mercado que prima por qualidade e sustentabilidade, e vimos hoje que o produto brasileiro está cada vez mais verde", afirmou.  

 

Outro ponto favorável ao algodão produzido no Brasil é o fato de que 100% da colheita é mecanizada, o que torna a pluma livre de contaminação. Além disso, 81% da safra 2020/21 foi certificada pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que atua em benchmarking com a Better Cotton Initiative (BCI).  

 

Por outro lado, a posição estratégica da Tailândia é atrativa para os cotonicultores brasileiros. "Por estar na área central de entrada para o continente asiático, o País é o principal elo com a região. Com boa qualidade de vida e um mercado pujante, várias empresas multinacionais têm optado por instalar aqui seus braços na Ásia", pontuou o presidente da Câmara de Comércio Brasil-Tailândia, Marcelo Souza.  

 

Os dados da safra atual e as previsões para o ciclo 2021/22 foram apresentados no Cotton Brazil Outlook 2022 - Thailand pelo diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, que coordena o escritório da entidade em Singapura. A projeção é de que em 2022 sejam produzidos 2,8 milhões de toneladas da pluma. O Brasil é o quarto maior produtor e o segundo maior exportador mundial de algodão.