Simpósio debate sistemas intensivos de produção de algodão

Postada em: 10/11/2021


A pesquisa como caminho para a sustentabilidade da agricultura foi o tema de abertura do I Simpósio sobre Sistemas Intensivos de Produção de Algodão Brasileiro, promovido pela Abrapa em parceria com a Embrapa e o Sistema Famato. O evento, iniciado nesta terça-feira (9), vai até 11 de novembro, com programação presencial em Cuiabá (MT) e transmissão online.  
 
Os participantes destacaram a evolução do agronegócio nas últimas décadas, com ênfase na cotonicultura, como resultado de investimentos em estudos e desenvolvimento de novas tecnologias e sistemas produtivos.  “Quando a gente para pra pensar na trajetória do agro brasileiro, saímos de uma era de expansão, passando na década de 90 para uma era de competitividade. Em 2000, com mudanças no próprio perfil dos demandantes, o foco maior foi na sustentabilidade. Mais recentemente, estamos buscando a multifuncionalidade na agricultura”, resumiu Guy de Capdeville, Diretor Executivo de Pesquisa e Desenvolvimento Embrapa.  
 
O algodão foi apresentado como case de sucesso nesta trajetória e como pioneiro na estratégia de promoção no mercado internacional. Nos anos 70, o Brasil plantava em torno de 4 milhões de hectares da cultura, com produtividade de 143 quilos de fibra por hectare, e era grande importador da pluma. Atualmente, a área cultivada é de 1,5 milhão de hectares, com 1.770 quilos/ hectare. E o País se tornou o segundo maior exportador mundial de algodão. “Chegamos neste patamar com dedicação, trabalho, união e tecnologia”, afirmou o presidente da Abrapa, Júlio Cézar Busato. “Por meio do programa Cotton Brazil, estamos mostrando ao mundo que temos algodão em quantidade, com qualidade, rastreabiidade e sustentabilidade”, relatou.  
 
Busato explicou que o programa Algodão Brasileiro Responsável é fundamentado em 3 pilares: social, econômico e ambiental. A certificação exige, entre outros quesitos, o cumprimento da legislação trabalhista brasileira, das normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Código Florestal Brasileiro. “Como só o Brasil tem um código florestal, isso torna o ABR o programa mais completo de sustentabilidade a nível mundial”, pontuou Busato.   
 
Na opinião de Normando Corral, presidente do Sistema Famato, agora é preciso pensar no futuro. Neste sentido, propõe o aperfeiçoamento do Código Florestal Brasileiro, considerando-se o potencial produtivo do solo de cada região. “É indiscutível que nossa produção é ambientalmente sustentável, mas temos que levantar algumas questões. Temos que aperfeiçoar a forma como exploramos nossos recursos naturais e, principalmente, o solo”, ponderou.  Segundo ele, de nada adianta permitir que a exploração de 80% de áreas com 12% a 15% de argila, sem topografia para a prática agrícola e sem a chuva necessária para o cultivo. “Temos que transformar o nosso Código Florestal e a nossa produção agropecuária de forma inteligente. Este é o próximo passo, temos que pensar no futuro”, concluiu.     
 
Ricardo Arioli, presidente da Comissão de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, mediou o talk show de abertura do I Simpósio. Até quinta-feira (11), produtores, técnicos, pesquisadores e acadêmicos debaterão temas como manejo de pós-colheita; saúde do solo; plantas de cobertura; estratificação do perfil do solo em SPD; manejo de plantas daninhas; manejo de resistência de pragas; manejo de doenças; controle biológico; manejo de nematoides; e desafios da tecnologia de aplicação. Confira a programação completa em  www.sip2021.com.br.