Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa com as principais notícias do mundo do algodão

Postada em: 21/08/2020


Algodão em NY – A ameaça de duas tempestades tropicais, que podem ser tornar furacões e atingir a costa do Golfo do México (EUA), no início da próxima semana, e um bom relatório de exportações dos EUA contribuíram para a alta do mercado nos últimos dias.  O contrato dez/20 fechou ontem a 64,52 centavos de dólar por libra-peso (c/lp), com alta de 2,4% nesta semana.

 

Altistas 1 – O Centro Nacional de Furacões dos EUA identificou duas depressões tropicais, TD-13 e TD-14, das quais, a número 14 parece prestes a entrar no Golfo do México nos próximos dias, e atingir o status de furacão. Muitos, no mercado de algodão dos EUA, se lembram das perdas bilionárias causadas pelo furacão Michael, que atingiu duramente a safra do Sudeste americano em 2018.

 

Altistas 2 – O relatório semanal desta quinta-feira mostrou que as vendas líquidas externas e as exportações dos EUA foram significativamente maiores do que na semana anterior, com em 33,3 mil e 97,5 mil toneladas, respectivamente. Com estes números, o país já vendeu 47% e embarcou 5%, das 3,3 milhões de toneladas previstas para este ano comercial (20/21), sendo a China o grande comprador.

 

Baixistas 1 – Em mais um capítulo da relação – cada vez mais tensa – entre EUA e China, o governo Trump recusou-se, na quinta-feira, a reconhecer quaisquer planos de se reunir com a China para tratar da Fase 1 do acordo comercial.  A previsão era de uma reunião por videoconferência sobre o tema, no último dia 15, mas a conversa foi adiada por decisão do presidente Trump, e agora está sem data para acontecer.

 

Baixistas 2 – Forçando lado baixista da equação de mercado esta semana, o Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, levantou preocupações de que a recuperação econômica dos efeitos devastadores da pandemia não será simples.  Diretores do Fed esperam que a crise causada pelo coronavírus "pese bastante" na economia, emprego e inflação.

 

Crise no Mali – O sexto maior exportador de algodão do mundo vive uma grande crise política.  O presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, foi forçado a renunciar e a dissolver o gabinete e o Parlamento, após ser ilegalmente detido por militares, junto com seu primeiro-ministro, como parte do golpe de Estado promovido nesta terça-feira por um grupo de militares do país africano.

 

Índia – Estima-se que os leilões da Cotton Corporation of India - CCI (agência do governo que compra algodão em caroço do agricultor e vende algodão beneficiado para o mercado) já venderam entre 750 mil e 1 milhão de toneladas. Estima-se que o saldo remanescente do órgão estatal seria de cerca de 1,2 a 1,5 milhões de toneladas.

 

Austrália – A desastrosa safra de algodão 2019/2020 do tradicional país produtor está fechando em 137,2 mil toneladas, a menor dos últimos 12 anos.   Já a próxima safra, que começa a ser plantada no mês que vem, pode exceder a projeção do USDA de 413,7 mil toneladas. Importantes chuvas foram relatadas em algumas regiões de cultivo, o que deve permitir aos agricultores melhorar o armazenamento de água para irrigação.

 

Vietnã – O conflito comercial entre os EUA e a China tem contribuído para o aumento da participação de países como México, Bangladesh e Vietnã nas exportações de bens de consumo.  O Vietnã tem se destacado devido aos seus incentivos à exportação, sua proximidade geográfica com a China, seu rico ecossistema de fornecimento de materiais e componentes, bem como sua rede em expansão de acordos de livre comércio, muitos dos quais, como o TLC UE-Vietnã.

 

Colheita Brasileira – A Abrapa informou o progresso da colheita da safra 2019/2020 de algodão no Brasil até ontem: Mato Grosso: 88%; Bahia: 67%; Goiás: 81%; Minas Gerais: 74%; Mato Grosso do Sul: 98%; Maranhão: 75%; Piauí: 89%; São Paulo: 97%; Tocantins: 67% e Paraná: 100%. Média Brasil = 83,5% colhido.

 

Beneficiamento – A Abrapa informou o progresso do beneficiamento da safra 2019/2020 de algodão no Brasil, até ontem: Mato Grosso: 19%; Bahia: 20%; Goiás: 24%; Minas Gerais: 38%; Mato Grosso do Sul: 29%; Maranhão: 23%; Piauí: 27%; São Paulo: 97%; Tocantins: 20% e Paraná: 99%. Média Brasil: 20% beneficiado.

 

Exportações brasileiras – Os embarques nacionais de algodão em pluma totalizaram 23,9 mil toneladas, na segunda semana de agosto.  No total das duas semanas, foram exportadas 48,4 mil toneladas, mais que o recorde para o mês de agosto inteiro: 45,3 mil toneladas em 2019.

 

Preços – A tabela abaixo mostra os últimos movimentos de

preços, índices e câmbio que impactam o mercado de algodão.

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