Abrapa participa do Denim Meeting Talks

Postada em: 04/06/2020


O Brasil é atualmente o maior produtor mundial de jeans, com 25 milhões de metros produzidos ao mês. O tecido é feito majoritariamente de algodão, commodity na qual o país também performa em grande estilo, sendo hoje o quarto maior produtor mundial, segundo maior exportador, e, também, campeão global em produtividade sem irrigação (1776kg/hectares). Mas, em quase um século e meio de história, desde que o denim ganhou o guarda-roupa das pessoas ao redor do mundo, muita coisa mudou no tecido, que começou a incorporar outras fibras e tecnologias.

 

O que pode vir a ser o futuro deste item que é quase unanimidade no planeta, em termos de funcionalidade, conforto e sustentabilidade, foi debatido nesta terça-feira (03/06), no Denim Meeting Talks, evento virtual que teve como um dos convidados o vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Júlio Cézar Busato. A "live" incluiu representantes da indústria de produção de outras fibras de base natural, como a viscose, e sintética, como o elastano e o nylon. 

 

O debate entre representantes de setores, aparentemente, concorrentes teve como objetivo repensar o jeans, sob as luzes e incertezas do cenário que se desenha, principalmente, pós-pandemia da Covid-19, em que os consumidores estão ainda mais exigentes com atributos como conforto – para trabalhar de jeans em home office –, segurança e sustentabilidade. O jeans, que originalmente era feito totalmente em algodão, desde os anos de 1960 vem incorporando outras fibras, nem sempre biodegradáveis, para conferir mais maleabilidade, movimento e caimento à trama. Na "ordem do dia" da cadeia produtiva, estão termos como sustentabilidade, economia circular, rastreabilidade, redução de resíduos e biodegradabilidade.

 

Em sua fala, Busato resumiu a história do algodão no Brasil e os diferentes modelos de produção que caracterizaram as muitas fases de cotonicultura brasileira, desde o século XVII até o final do século XX, quando as lavouras migraram para o centro-oeste do país, e o conceito de produção passou a ter como linha-mestra a sustentabilidade (ambiental, social e econômica) da fibra.

 

Segundo Busato, esse pensamento sustentável só se configurou graças à união dos produtores e à organização do setor, em associações estaduais, congregadas pela nacional, a Abrapa. "Assim, conseguimos nos mobilizar para atingir a excelência. Hoje, temos qualidade, volume de escala e regularidade de fornecimento. Conquistamos a credibilidade no mercado, com programas voltados à precisão e transparência nos resultados de classificação, e somos reconhecidos como líderes mundiais em produção sustentável", disse o vice-presidente da Abrapa, que preside também a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa). Ele enfatizou a importância do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que, desde 2013, estabeleceu 178 critérios a serem cumpridos pelos agricultores, nos quais estão inserido outros 25 itens da Better Cotton Initiative (BCI), uma vez que a Abrapa opera em benchmark com a BCI, referência global em licenciamento de algodão sustentável. "Os cotonicultores brasileiros se orgulham de ter 80% do seu algodão chancelado com o selo ABR, que é auditado por empresas de terceira parte, e de grande renome", afirma o Júlio Busato.

Único com tecnologia milenar, natural e biodegradável, 100% reciclável e produzido em parâmetros sustentáveis, o algodão inspira outras fibras a agregar biodegradabilidade e também a investir em processos de reciclagem. Um dos exemplos é a "Refibra", novo produto Tencel, feito de resíduos de madeira e algodão, da Lenzing, também representada no evento.


04.06.2020
Catarina Guedes
(71) 98881-8064