De “sequeiro” a rastreável

Postada em: 30/03/2020


Resultados de um pensamento sustentável, que vem se fortalecendo nos últimos 18 dos seus 20 anos, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) falou nesta sexta-feira (27) sobre rastreabilidade, Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e Sou de Algodão no webinar A Água na Moda. O evento virtual reuniu, em média, 250 pessoas online por painel para discutir o uso sustentável dos recursos hídricos na cadeia produtiva têxtil. Cotonicultores, representantes da indústria, do comércio, do terceiro setor e formadores de opinião participaram das discussões e puderam conhecer mais sobre a produção da principal matéria-prima da moda, e as práticas que fazem do Brasil o país campeão em sustentabilidade certificada na cotonicultura. Na oportunidade, também mostrou o recém lançado 3º Manifesto Sou de Algodão, que tem como tema "o movimento que cultiva a moda responsável do Brasil".

 

O evento foi promovido pelo movimento Ecoera, liderado pela especialista em sustentabilidade Chiara Gadaleta, em parceria com as empresas Guardiãs da Água, que engajam a iniciativa A Moda pela Água. Inicialmente, ele estava previsto para acontecer presencialmente, no último dia 20, em São Paulo. A mudança de formato foi a solução encontrada para a realização, mesmo em meio ao isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavirus. "Um momento em que o uso da água está ainda mais em evidência, quando a ordem é lavar as mãos e a gente lembra que 35 milhões de pessoas não têm acesso à água potável no Brasil", disse Gadaleta.

 

Ao longo dos diversos painéis do webinar, iniciativas para reutilização de resíduos da indústria, cases de sucesso no terceiro setor e das próprias empresas e ainda os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) estiveram em evidência. Silmara Ferraresi, assessora da presidência da Abrapa e gestora do movimento Sou de Algodão, apresentou o exemplo dos cotonicultores que hoje recuperam nascentes no cerrado baiano, através da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa). "Com investimento dos cotonicultores, o projeto recuperou 55 nascentes de água, diagnosticou outras 87 e identificou mais 210 para futuras ações de preservação, em dez municípios daquela região", explicou.

 

Silmara Ferraresi destacou que a cotonicultura no Brasil é quase totalmente (92%) praticada sem uso de irrigação. "Ou seja, com água da chuva. E mais de 80% dela é certificada pelo programa ABR, que trata das boas práticas sustentáveis na fazenda e do qual constam 178 itens de verificação, auditados por empresas de terceira parte", disse, ressaltando que, através do movimento Sou de Algodão, a entidade passou a comunicar para os demais elos da cadeia e para o consumidor final que o algodão brasileiro é uma fibra sustentável, democrática e inclusiva.

 

O diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, falou sobre as pegadas do algodão desde a lavoura até o momento em que é entregue à algodoeira, e, em breve até a porta da fiação. A rastreabilidade da fibra é um compromisso da Abrapa, possível graças ao sistema que integra todas as informações sobre a produção da matéria-prima no país, o SAI. O sistema foca em identidade e rastreabilidade, com dados sobre origem, safra, classificação e sustentabilidade. Uma etiqueta de código de barras que segue em cada fardo funciona como um RG do algodão. "Entregamos todas essas informaçõespara que o comprador possa saber, exatamente, de onde veio aquele algodão e todas as suas caraterísticas", diz Portocarrero.

 

De acordo com o diretor, até o final de 2020, a rastreabilidade deve chegar até as algodoeiras. "A partir daí, a fiação e, na sequência, a tecelagem vão somar essas informações às suas próprias certificações de rastreabilidade e entregarão à confecção o registro da história dessa cadeia produtiva. Estes, por sua vez, poderão fazer o mesmo, para levar ao consumidor final um produto 100% rastreável. Imaginar isso em 100% da cadeia deixa de ser um sonho para virar realidade", diz. Portocarrero citou o posicionamento de grandes marcas e grifes internacionais que já se comprometeram publicamente a só consumir algodão comprovadamente sustentável, em um curto espaço de tempo. "Vamos dar ao consumidor final a oportunidade de conhecer a história daquela peça antes de tomar a decisão de comprá-la", finalizou.

 

27.03.2020

Imprensa Abrapa

Catarina Guedes – Assessora de Imprensa

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