Cotonicultores brasileiros querem levar o País ao primeiro lugar em exportações

Postada em: 28/06/2022


Os produtores brasileiros de algodão trabalham com uma meta ambiciosa: querem que o Brasil seja o maior exportador mundial da fibra. Há capacidade para aumentar a área e a produção de algodão de forma rápida e eficiente, mas é preciso dar rentabilidade ao cotonicultor e atingir novos mercados.

"Nosso foco são nove países que hoje concentram 49% da população mundial e 90% da importação global de algodão. Para estes mercados, trabalhamos a produção em quatro pilares: qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e relacionamento com os clientes", disse Júlio Cézar Busato, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), no simpósio online The Global Cotton Market, no sábado (25).

O evento integra as ações do programa Cotton Brazil, e foi organizado pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) em parceria com Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). Direcionado a clientes internacionais da indústria têxtil, levou informações estratégicas sobre a cotonicultura e o comércio externo do algodão brasileiro a mais de 400 participantes, de forma presencial e online.

A Ásia é o continente que mais importa algodão brasileiro e, por isso, a Abrapa e a ApexBrasil trabalham, desde 2019, no Cotton Brazil, programa que objetiva desenvolver mercados. A iniciativa tem um escritório de representação em Singapura para estreitar relacionamento com os clientes potenciais.

"Estamos construindo a imagem do algodão brasileiro na Ásia. Com eventos e reuniões, mostramos aos nossos clientes que podem ter tranquilidade com a produção e entrega do produto e isso ocorre porque toda a cadeia do algodão está trabalhando unida", informou Busato.

"O algodão é uma cultura sazonal, mas estamos conseguindo mudar a percepção dos clientes externos nos apresentando como fornecedores contínuos, com estoque para atender as demandas nos 12 meses do ano", disse Miguel Faus, presidente da Anea. Ele revelou que, somente no mês de junho, já foram embarcadas 80 mil toneladas de algodão.

Mesmo com a garantia de entrega do produto, o cenário macroeconômico exige cautela, de acordo com Antonio Esteve, diretor da Ecom Cotton. Com a alta da inflação em todo o mundo, os bancos centrais tendem a tomar medidas duras em relação ao aumento de juros para frear os índices e trazer as taxas a níveis aceitáveis.

"A situação impacta na previsão de crescimento econômico mundial e, neste cenário, o consumo das pessoas será reduzido, especialmente em itens de consumo discricionário, como roupas", explicou.

Mesmo com uma conjuntura internacional desafiadora, há espaço para ampliar a presença brasileira no mercado externo. O Cotton Brazil busca ampliar o índice de market share nos países asiáticos, que já respondem por 99% dos embarques nacionais. Um exemplo é Bangladesh, segundo maior importador de algodão do mundo, em que o algodão brasileiro tem 14% de participação nas importações. Recentemente visitado por uma missão comercial da Abrapa, o país sinalizou interesse em adquirir mais pluma brasileira.

Representantes da indústria têxtil brasileira informaram que o algodão representa entre 35% e 40% dos custos e que é preciso planejamento de longo prazo para o equilíbrio das operações frente a um cenário de possível recessão mundial.

"Além disso, temos o desafio da modernização da nossa indústria para sermos mais eficientes e diminuirmos custos", afirmou Marco Antônio Branquinho, diretor presidente na Cedro Têxtil.

Sérgio Benevides, diretor da Valença Industrial, também citou a entrada de novas fibras no mercado e a crise mundial como desafios da indústria. "Várias fiações fecharam e não há novos empresários no ramo. Para o mercado interno chegar ao consumo de um milhão de toneladas, que é a meta, será preciso ter mais margem para o consumo de algodão", disse.

O evento contou ainda com a presença do diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, e com o vice-presidente da Anea, Henrique Snitcovski.