Transparência do algodão brasileiro agrada industriais bengalis

Postada em: 15/06/2022


​Transparência, confiança e produto com ótima qualidade. Sobre esse tripé, estrutura-se a promissora relação comercial entre produtores brasileiros de algodão e indústrias têxteis de Bangladesh. A boa receptividade à comitiva de cotonicultores e exportadores brasileiros apenas reflete o potencial de crescimento da presença brasileira no mercado têxtil bengali – cujo dinamismo posiciona o país como segundo maior importador mundial de algodão.

A comitiva brasileira integra a Missão Vendedores, intercâmbio comercial organizado pela Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), em parceria com a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

O objetivo é desenvolver novas oportunidades de negócios entre brasileiros e bengalis por meio de reuniões de negócios, evento técnico e visitas a fiações e tecelagens de Bangladesh. Quinto maior importador da pluma brasileira, o país absorveu 270 mil toneladas no ano passado. No atual ano comercial (agosto de 2021 a maio de 2022) as exportações para este mercado somaram 184,0 mil toneladas. 

Sharifa Parveen, diretora do DBL Group, afirmou que o algodão brasileiro é uma das opções de melhor qualidade no mundo. "É fácil comprar o algodão do Brasil, existe transparência. Além disso, temos mais confiança nos negócios vendo esses números que foram apresentados", afirmou Parveen , durante o Cotton Brazil Outlook – evento promovido pela Abrapa,  em 14 de junho, em Dhaka.

"Investimos permanentemente em qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade e sabemos que vamos evoluir ainda mais, nos próximos cinco anos. Nossa meta é ampliar o market share brasileiro de 14% nas importações bengali de algodão", revela o presidente da Abrapa, Júlio Busato.

Uma meta viável ao que tudo indica. De acordo com o diretor executivo da Argon Spinning Ltda., Ranjan Chaudary, há alguns anos era difícil usar a fibra brasileira como matéria-prima, mas o cenário mudou rapidamente. "Havia problemas de qualidade que hoje não existem mais. Atualmente, são os nossos clientes que pedem pelo algodão brasileiro, que ainda tem a vantagem de ser livre de contaminação", comentou.

Presidente em exercício da Bangladesh Textile Manufacturing Association (BTMA), Fazlul Haque recebeu o presidente da Abrapa e abriu as portas para futuras colaborações. "Há uma grande oportunidade de ampliarmos os negócios com o Brasil. A BTMA pode ser parceira na promoção do algodão brasileiro em Bangladesh, maximizando as relações comerciais", declarou. O apoio é significativo. A BTMA é a principal entidade representativa da indústria têxtil bengali. Reúne 1.750 membros, sendo 500 fiações, 950 fábricas manufatureiras e 300 indústrias de tingimento e finalização.

Um fator que agrada os empresários visitados pela Missão Vendedores é a transparência dos dados. "Nosso sistema de rastreabilidade realmente abre os indicadores de qualidade para os compradores, algo que nem todos países fazem. Além disso, em breve teremos um canal específico para esclarecer dúvidas técnicas sobre a fibra brasileira", afirmou Busato, durante o Cotton Brazil Outlook.

Uma preocupação identificada, durante as visitas e o evento em Bangladesh, foi o aumento de preços do produto devido à crise mundial de fertilizantes. Afinal, houve aumento de 50% no preço dos insumos para a próxima safra. "Na temporada atual, já estamos utilizando nossa 'poupança' de fertilizantes – produtos que havíamos comprado antes da crise eclodir. Mas acreditamos que a situação seja momentânea", destacou o presidente da Abrapa.  

Visitas técnicas. A agenda de visitas da Missão Vendedores em Bangladesh foi organizada pela Embaixada do Brasil no país. Em todos os compromissos, a comitiva foi acompanhada por Sabine Nadja Popoff, executiva responsável pela embaixada durante a transição de embaixadores. O grupo brasileiro foi recebido pelo Ministro de Têxteis e Juta, Golam Dastagir Gazi, e também pela Bangladesh Garments Manufacturers and Exporters Association (BGMEA), entidade representativa das confecções.

Entre as fábricas visitadas, importantes players importadores do algodão brasileiro, como a Badsha Textiles e a Square Textiles, grupo com quatro indústrias de fios e vestuário que emprega 800 mil pessoas. Também foi visitada a Beximco Textile, planta de mais de 120 hectares que trabalha com tecido reciclado, confeccionando do fio às roupas finalizadas. A Beximco produz sua marca própria e em larga escala para marcas internacionais.

Cotton Brazil. A missão comercial da Abrapa na Ásia é uma das iniciativas do programa Cotton Brazil, desenvolvido em parceria com Anea e Apex-Brasil. O objetivo é promover o algodão brasileiro no mercado internacional e desenvolver mercados. O foco prioritário é a Ásia, região que concentra 99% das exportações brasileiras.

"Atualmente, respondemos por 23% do mercado no ciclo 2020/21 e temos potencial firme de crescimento nos próximos anos. Em nossas missões comerciais, verificamos o quanto os países estão abertos a isso", observou Busato.

Indonésia, Tailândia e Bangladesh, países visitados em junho pela Missão Vendedores, representam 21% do volume total de algodão brasileiro embarcado para a Ásia na safra 2020/21, cerca de 498,5 mil toneladas. Já no ciclo atual (de agosto/21 a maio/22), respondem por 21% e por um volume embarcado de 313 mil toneladas do produto.