Clube da Fibra reúne o setor para discutir desafios e o futuro da cadeia algodoeira

Postada em: 30/05/2022


​Clube da Fibra reúne o setor para discutir desafios e o futuro da cadeia algodoeira


Perspectivas econômicas do Brasil, desafios e o futuro da cotonicultura foram os temas abordados pelo segmento durante o 25º Clube da Fibra, que se realizou entre os dias 25 e 27 de maio, em São Paulo. O evento é uma promoção da FMC Agricultural Solutions, com apoio da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que esteve presente em três painéis: Contexto Global do Algodão e suas exigências para o futuro, a Força do Agro – Grandes Projetos e a Desafios e Perspectivas do algodão no mundo. Cotonicultores e especialistas brasileiros acompanharam os debates sobre a cadeia.

 

O presidente da Abrapa, Júlio Cézar Busato, discorreu sobre o cenário da cotonicultura brasileira e o trabalho desenvolvido com base em quatro pilares: rastreabilidade, sustentabilidade, qualidade e promoção. Mostrou dados referentes à safra 2020\2021 em que 84% da produção da fibra foi certificada. Destacou que, no Brasil, o produtor é certificado ABR (Algodão Brasileiro Responsável) para ter a licença Better Cotton Initiative (BCI), devido à legislação ser mais severa. Para ter uma ideia, a lista brasileira tem 183 itens, enquanto a BCI trabalha com 51 quesitos. Cerca 38% do algodão Better Cotton que circula no mundo vem de fazendas do Brasil.

 

Ao abordar a qualidade do produto nacional, Busato destacou o trabalho desenvolvido pela Abrapa, conjuntamente com as associadas e os produtores, e o que envolve o programa de Qualidade no seu cotidiano: Programa Algodão CBRA de Checagem, Programa Algodão de Reteste, Programa Algodão Brasileiro de Verificação Interna, Programa Interlaboratorial Brasileiro, Certificação ICA Bremen, creditação pela norma NBR ISO/IEC 17025, além de treinamento para os laboratórios participantes. Atualmente, são 12 laboratórios em rede.

 

Sou de Algodão e Cotton Brazil

 

As ações de promoção da fibra brasileira no mercado interno, por meio do Sou de Algodão, e externo, através do Cotton Brazil são a menina dos olhos da associação e o presidente mostrou em números o que isso significa para referendar o algodão e a sua qualidade. "Somos quase 1000 marcas parceiras; mais de 30 milhões de peças já foram etiquetadas com tags do Sou de Algodão; temos mais de 40 estilistas engajados no movimento e temos presença constante na em eventos de moda", destacou.

 

No mercado externo, com Cotton Brazil, o cenário é igualmente positivo, com rodadas sobre o algodão nos nove países-alvo, parceria com Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), com os ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa), Relações Exteriores (MRE) e com a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), participação em eventos presenciais na China, assinatura de memorandos de entendimento com entidades internacionais, realização de missão vendedores junto a clientes da Turquia, e Paquistão, Indonésia, Tailândia e Bangladesh, entre outras atividades de marketing.

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Rastreabilidade

"Temos muito para mostrar. Evoluímos e estamos avançando ainda mais em ações que deem credibilidade à fibra brasileira. Hoje entregamos rastreabilidade completa: fardo, algodoeira, produtor, fazenda, certificação, laboratório de HVI e qualidade. E, em junho, a Abrapa entregará ao mercado o aplicativo Abrapa – rastreabilidade", antecipou Busato.

 

Por meio do aplicativo, o cliente nacional ou internacional, usando o mobile, poderá consultar a rastreabilidade por fardo ou solicitar ao produtor que libere a consulta por lote. De forma simples, rápida e transparente. 

 

Desde 2021, em projeto-piloto, em parceria com a Reserva e a Renner, o setor passou a entregar a rastreabilidade completa do algodão ABR – da fazenda ao varejista. A meta, segundo a Abrapa é estender o projeto para toda a cadeia têxtil brasileira, em 2023.

 

Ao encerrar a explanação, Busato convocou o setor a seguir unido e trabalhando. "É muito importante a participação dos produtores na união das estaduais para alcançarmos o objetivo e chegarmos ao topo da produção mundial de algodão. Visitei as nove associadas e constatei o que já sabíamos: temos clima, terra, tecnologia, vontade de crescer, mas principalmente, temos pessoas e famílias com essa visão. Todos juntos, trabalhando na mesma direção e melhorando a cada dia, alcançaremos a meta de maiores produtores de algodão", destacou.

 

O algodão no mundo e o espaço para o Brasil crescer

 

O diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, apresentou dados do algodão no mundo, o cenário brasileiro e as perspectivas futuras. Destacou o crescimento de 1,7% ao ano, entre safras de 11/12 a 21/22. Segundo OECD/FAO e Texas Tech/USDA numa projeção futura considerando 21\22 a 31\32, o aumento será de 1,4% ao ano, o equivalente a 4 milhões de toneladas a mais em relação à safra 21/22. No período, o consumo também terá incremento de 26,6 milhões de toneladas para 30,6 milhões e os países com maior crescimento devem ser Vietnã e Bangladesh. Hoje, o movimento do comércio internacional da fibra aponta importações lideradas por China (23%), Bangladesh (18%), Vietnã (16%), Paquistão (11%), Turquia (11%) e Indonésia (8%). Por outro lado, as exportações são lideradas por Estados Unidos (33%), Brasil (17%), África (11%), Índia (12%) e Austrália (8%). A projeção para safra 31\32 mostra o Brasil dobrando as exportações e chegando a 27%.  No mesmo período, as importações mundiais também devem crescer e o Brasil, segundo Duarte, tem potencial para conquistar mercados e elevar a qualidade do produto nacional.

 

Força do Agro – Grandes Projetos

 

No painel, a assessora da presidência da Abrapa, Silmara Ferraresi, trouxe as principais ações da cotonicultura brasileira implementadas pela associação. Destaque para o Sou de Algodão, que tem mais de 1.000 marcas parceiras e 30 milhões de peças etiquetadas com a tags do Sou de Algodão. O Cotton Brasil, ação voltada para o mercado externo, e de apoio a missões junto aos países compradores da fibra, entre outras atividades de marketing. Silmara também discorreu sobre os programas ABR e ABR-UBA, voltados para a proteção dos direitos e bem-estar do trabalhador, e de rastreabilidade, verificação que pode ser feita por meio do acesso ao QR Code fixado no fardo, possibilitando a obtenção de informações sobre o produto, desde certificações, qualidade, fazenda, produtor.

 

Saiba mais: O Clube da Fibra é uma referência como fórum de debate para o setor. É um espaço de discussão importante para a cadeia em busca de oportunidades para o agronegócio brasileiro.