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Abrapa

 Palavra do Presidente

Milton Garbugio

Milton Garbugio,

Presidente da Abrapa,
Associação Brasileira dos Produtores de Algodão.


Para quem não nasceu nos anos 2000, antever o que seria o novo milênio e, mais ainda, a terceira década dele, era um sonho de ficção científica. Imaginávamos carros voando, férias em outros planetas, e o teletransporte. Nem tudo foi possível até agora, mas o que vemos nas fazendas brasileiras de algodão hoje em dia, e, melhor ainda, o que não vemos - pois acontece no âmbito dos genes, dos microchips e da nanotecnologia-, muitas das mentes criativas do passado não conseguiram antever.


Dentre todas as culturas agrícolas, o algodão é uma das mais "futuristas". A gente que é do campo se acostumou a ver aqueles robôs gigantes colhendo a pluma, e distribuindo com precisão impressionante as sementes, fertilizantes e defensivos, para fazer valer cada centavo do investimento, e a preservar ao máximo os recursos ambientais, humanos e financeiros na produção. Mas cada vez que levamos gente da cidade para ver de perto uma colheita, o que vemos são olhos de espanto e encantamento. O cotonicultor brasileiro investe em tecnologia como nenhum outro e, sem subsídios governamentais, guiado pelo conceito da sustentabilidade, está redefinindo o mapa do algodão mundial.

 

Assumi a Abrapa no ano em que a associação completou duas décadas. No início do milênio, que coincide com a criação da entidade, importávamos algodão. Nossa reputação não era boa dentro e fora do país, quando se falava em qualidade e credibilidade. No ano passado, produzimos quase três milhões de toneladas de pluma, nos tornando o terceiro maior produtor mundial e o segundo maior exportador, atrás apenas dos Estados Unidos, que devemos superar em breve. Em 1,6 milhões hectares de lavouras, o Brasil colheu uma média de 1,77 mil quilos de pluma por hectare, número sem concorrente no mundo, quando se fala em plantação não irrigada.

 

Nas exportações, o país deve alcançar este ano dois milhões de toneladas de algodão embarcados, produzidos na safra passada. É muito. É resultado de tecnologia e know how, e de um pensamento estratégico que vigora nas fazendas, nas associações estaduais e na Abrapa. Esta, ouvindo o cotonicultor, o mercado e – cada vez mais – o consumidor final, tem investido na aquisição e produção de conhecimento, através de programas de grande resultado para o setor. Graças a isso, se consolida como uma das mais organizadas, aglutinadoras e vanguardistas entidades de classe do agronegócio.

 

O trabalho da Abrapa se dá em quatro linhas mestras: qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e marketing. Quatro pilares que sustentam a nossa posição de grande player do mercado. Para chegar ao quarto pilar, o marketing, tivemos de investir intensivamente nos três primeiros. Agora, mais do que nunca, é hora de promover a nossa fibra no mundo. Temos um produto excelente e cada vez mais desejável pela indústria; produzimos em bases sustentáveis do ponto de vista ambiental, social e econômico, atestados pela Better Cotton Initiative (BCI), que no Brasil opera em benchmark com o nosso programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR). Além disso, somos confiáveis em resultados de análise instrumental de fibra, graças ao programa Standard Brasil HVI (SBRHVI), que inclui o moderno e internacionalmente classificado Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA).

 

Temos também escala na produção. E, como pudemos comprovar nesta safra, capacidade de escoamento. A partir de agora, em vez de exportadores de segundo semestre, forneceremos o produto nos doze meses, na quantidade e qualidade que o mercado nos demanda, e chegando ao seu destino na hora certa. O que muda, é que se antes o mercado para todo o algodão exportado pelo Brasil era dado como certo, agora temos de nos esforçar mais para vender, disputando novos clientes e, principalmente, mantendo os que já possuímos. Reforçar os atributos positivos do nosso produto, fortalecendo a imagem e identidade do algodão brasileiro, não apenas como commodity, mas como uma "grife".

 

Para isso, temos de ousar. No final do ano passado, a Abrapa e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) firmaram um convênio para a execução de um Projeto Setorial para implantar, de forma estruturada e integrada, um plano de promoção internacional do setor, que inclui a abertura de um escritório da Abrapa na Ásia. O objetivo do projeto é contribuir para tornar o Brasil o maior exportador mundial de algodão até 2030. Hoje a Ásia representa 98% dos nossos clientes, o que nos demanda uma presença institucional forte nesse território. Como se vê, 2020 é o presente, mas promete ser um ano decisivo para o futuro do algodão brasileiro.


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