Painel da Abrapa abre Clube da Fibra em Recife

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Postada em: 23/05/2016

​Na última quarta-feira (18), ocorreu a abertura oficial do 21º Clube da Fibra em Recife. O início dos trabalhos aconteceu com um painel apresentado pela Abrapa, com a participação do presidente da entidade João Carlos Jacobsen e outras lideranças do setor. Jacobsen iniciou sua fala com agradecimentos à FMC Agrícola pela realização do encontro e ressaltou a delicadeza do momento que a agricultura passa, enfatizando o aprendizado com as crises. “Precisamos nos mobilizar junto aos políticos que nos representam para buscarmos soluções para o endividamento dos produtores, a quebra da safra e a necessidade de continuar produzindo.”, comenta Jacobsen. 

 
 

O painel de abertura do evento que abordou temas como o cenário político, as perspectivas econômicas do Brasil, gestão de risco e o agronegócio sob a ótica do setor financeiro, seguiu por trazer apresentações do vice-presidente da Abrapa, Sr. Arlindo Moura. O executivo enfatizou em sua exposição as novas políticas do Plano Safra 2016/2017. Arlindo destaca que o aumento do valor disponibilizado pelo governo não tem sido efetivo, visto que recentemente só vem acontecendo uma reposição da inflação. “É difícil para um produtor acessar esses recursos e ele também sofre com os baixos limites individuais disponibilizados por cada CPF, que cada vez mais tem se mostrado insuficientes para os cotonicultores bancarem suas produções”, pontua ele. 

Arlindo destacou, no entanto que o plano trouxe uma boa notícia para os produtores. Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA’s) poderão agora ser emitidos em dólar, ajudando na captação de recursos externos. “Não sabemos como o mercado externo irá se comportar diante desta ferramenta, mas já é uma ótima oportunidade para facilitar a vida dos produtores”, enfatiza o vice-presidente. “O momento é de repensar os gastos em máquinas e novas tecnologias e buscarmos a sobrevivência da cadeia”, finalizou o executivo, enaltecendo que o grande desafio dos produtores agora é melhorar a gestão de seu negócio e avaliar com muito critério os novos investimentos. 

Desafios e cenários

Após a apresentação do Sr. Arlindo, os representantes das estaduais assumiram a palavra e mostraram um cenário da atual safra, abordando questões como a rentabilidade e expectativas com o futuro do algodão no país. ABAPA, AMPA e AGOPA representadas por Celestino Zanella, Gustavo Picolli e Carlos Alberto Moresco respectivamente foram os responsáveis por enfatizar os grandes desafios enfrentados pelo algodão hoje não se esquecendo de lembrar a força da commoditie para o equilíbrio da economia brasileira e mundial.   Algo comum entre os representantes das estaduais foi a ênfase nos altos custos de produção x mercado de algodão interno e externo. Eles contam que as perspectivas estão baixas, e o setor ainda teve que enfrentar dificuldades em decorrência das condições climáticas que tem resultado em perdas de produção e qualidade em todas as regiões produtoras.

Contratos de Opção

Por fim o painel da Abrapa no 21º Clube da Fibra trouxe Sávio Pereira, assessor do Ministério da Agricultura. Sávio foi responsável por apresentar o programa “Contratos de Opção”, proposto pela Abrapa há mais de quatro anos e está sendo estudado atualmente pela Secretaria de Política Agrícola do MAPA. O programa ainda não foi implantado, mas o Diretor Executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, destaca os benefícios que o programa pode trazer para o produtor agrícola brasileiro. “Este programa será um excelente artificio de apoio aos produtores em condições adversas de mercado e pode auxiliar não só aos cotonicultores, mas a todo o agronegócio. É um modelo já adotado pelo governo mexicano, por exemplo”, aponta Portocarrero. O Programa de Opções Agrícolas prevê a possibilidade de os produtores brasileiros adquirirem contratos futuros de opções em bolsas internacionais, como a de Chicago e Nova Iorque, com subvenção do Governo Federal. No México os produtores de algodão, milho, arroz, trigo, sorgo, soja, café, suco de laranja, gado e porco são atendidos pelo programa.