A nova safra de algodão se inicia em Goiás e, com ela, o manejo e o controle contra as pragas são imprescindíveis para o sucesso da plantação, principalmente quando o inimigo em potencial é o bicudo do algodoeiro, uma praga que pode acarretar sérios danos à produção se não for controlada corretamente. Para fazer um levantamento preciso de como está a infestação da praga nas propriedades, armadilhas e feromônios são distribuídos nas áreas onde ocorre a semeadura, em ações realizadas pela Fundação de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário de Goiás – Fundação Goiás.
Segundo o coordenador do Projeto de Controle e Supressão do Bicudo do Algodoeiro, Davi Laboissiére, os produtores goianos estão bastante conscientes quanto à necessidade do monitoramento. Porém, ele alerta que, em algumas regiões produtoras, o índice de infestação aumentou se comparado ao registrado no ano anterior. “Esta situação é decorrente da ‘quase’ inexistência de um vazio sanitário satisfatório, bem como do manejo incorreto no ato da destruição dos restos culturais em algumas propriedades. Houve alta porcentagem de rebrota em muitas lavouras comerciais, situação que atua diretamente na sobrevivência e manutenção de altas populações do bicudo na entressafra”, explica.
Davi Laboissiére lembra que, no início da implantação do Projeto de Controle e Supressão, na safra 2003/2004, as regiões produtoras de Goiás – em sua maioria – eram classificadas como Zonas Vermelhas, ou seja, com alto índice de infestação do bicudo. Porém, na safra 2010/2011, cerca de 90% do Estado ficou classificado como Zona Azul, ou seja, com baixo nível de infestação. “É importante ressaltar que todas as etapas do Projeto de Controle e Supressão do Bicudo do Algodoeiro são baratas e extremamente eficazes para manter baixo o nível populacional do inseto. Desta forma, todas as propriedades têm plenas condições de executar o plano de forma integral”, diz.
São muitos os benefícios advindos com a redução da infestação do bicudo. Nas áreas específicas onde está implantado o Projeto de Supressão do Bicudo, houve diminuição aproximada de 35% no número de pulverizações contra o inseto, diminuição em cerca de 60% na captura dos insetos pelas armadilhas e redução em torno de 70% no índice de infestações, além de infestações mais tardias nas lavouras. Antes, as primeiras infestações ocorriam por volta dos 60 dias após a emergência e, na safra 2010/2011, as primeiras infestações ocorreram 90 dias após a emergência em praticamente todas as propriedades envolvidas em ações de supressão.
Atenção à substituição

Quanto à substituição das armadilhas pelo Tubo Mata Bicudo (TMB), Davi Laboissiére desaconselha a prática e explica que um produto jamais pode substituir o outro. O coordenador explica que o TMB é uma importante ferramenta de controle quando utilizado adicionalmente ao bom manejo ocorrido contra o inseto durante a safra. “Quando se inicia a fase de colheita do algodão e posteriormente a de destruição dos restos culturais, há uma grande movimentação do inseto na área. Neste momento, é importante e aconselhável colocar TMBs no perímetro das áreas de refúgio do inseto”.
Segundo Laboissiére, as armadilhas devem ser instaladas 60 dias antes da semeadura do algodoeiro. O objetivo é conhecer o potencial nível de infestação que os talhões possuem com relação ao inseto, bem como conhecer os pontos críticos de cada propriedade e saber com exatidão os locais que o inseto utiliza como “portas de entrada”. “Assim, temos condições de manejar de forma bem mais eficiente o controle do inseto no período de safra”, diferencia.
Entrega das armadilhas
Anualmente, a Fundação Goiás se compromete a doar armadilhas e a primeira “carga” de feromônios suficientes para cobrir todo o território a ser plantado, ficando o produtor somente responsável por adquirir mais quatro “cargas” de feromônios para realizar corretamente as nove leituras preconizadas no projeto. Devido à experiência dos anos anteriores, um feromônio é suficiente para cada cinco hectares. O mesmo critério é utilizado para a doação de armadilhas para os produtores novos. Quanto aos antigos, todos os anos há uma reposição de 20% das armadilhas, quando a área plantada se mantém. No caso de aumento de área, ocorre a mesma reposição da área anterior (20%) mais o número de armadilhas correspondentes à área adicional.
As armadilhas devem ficar instaladas no campo em intervalos que variam entre 150 a 300 metros de distância uma da outra e numa altura média de 1,30 metro. Em seguida, semanalmente são realizadas leituras das armadilhas e quinzenalmente ocorrem as trocas dos feromônios. Ao se completar nove leituras, pode-se determinar o índice Bicudo/Armadilha/Semana (BAS) da propriedade e conclui-se a etapa. Em seguida, as armadilhas do campo podem ser removidas. No caso das áreas onde ocorre a supressão do bicudo, as armadilhas persistem no campo durante todo o ciclo do algodoeiro.
Fonte: Assessoria de Comunicação da Casa do Algodão
Foto: MC Photofilmes